Como cuidar do cérebro evitando o estresse e a ansiedade

Por André Lima – Neurologista.  Membro da Academia Brasileira de Neurologia e diretor da Neurovida.


Hoje, dia 22 de julho, é comemorado o Dia Mundial do Cérebro, chamando a atenção para os cuidados com um dos órgãos mais importante do sistema nervoso e que controla todo nosso corpo. Estudos recentes apontam dados alarmantes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças mentais e neurológicas atingem aproximadamente 700 milhões de pessoas no mundo e  pelo menos 15 milhões de pessoas são acometidas pelo Alzheimer.

Muitos fatores podem levar à perda de memória. São eles a ansiedade, alterações do sono, utilização de remédios para depressão, infecções, hipotireoidismo e, nos casos mais graves, as demências. Nos últimos anos, as queixas referentes aos problemas de memória têm crescido muito e agora com a pandemia estamos vendo um agravamento dos sintomas. Mas realmente estamos mais esquecidos?

É preciso se cuidar para que o cérebro envelheça bem.  O primeiro passo para se ter uma mente sadia é cuidar de sua alimentação. A pessoa é fruto do que come. Uma dieta pobre em fibras e rica em gordura acaba resultando no entupimento de artérias importantes e isso pode acarretar em prejuízo para a vascularização cerebral. A hipertensão, diabetes, o colesterol alto, o tabagismo e o álcool são fatores de risco para a perda da memória, pois eles aceleram o processo de envelhecimento das artérias. O processo começa com a obstrução nas micro artérias, ocasionando perda de sangue em regiões do cérebro, causando pequenas isquemias e assim os neurônios ficam sem nutrientes e morrem.

Pratique exercícios. Mesmo aqueles que já apresentam algum déficit de cognição, não devem nunca abandonar os exercícios. Quando se faz uma atividade física, o coração bate mais forte e há um aumento do fluxo de sangue no cérebro, aumentando a oxigenação. Isso faz com que haja uma melhor irrigação em áreas do cérebro que estavam hipoativas, trazendo um ganho no raciocínio.

É importante ficar atento a alguns sinais que podem ajudar na prevenção da alteração da memória. A partir dos 65 anos é o período que geralmente este problema começa a ocorrer. É importante reparar se existe o esquecimento de fatos recentes. Depois se esquece de eventos mais antigos. Não se lembra onde deixou objetos e/ou se esquece do nome das pessoas. Esses são alguns sinais do problema. Muitas vezes sinais de uma demência na fase inicial podem ser tratados e a perda cognitiva retardada.

Um fator muito importante para a saúde do cérebro é a qualidade do sono. Ter um sono completo com todas as fases ajuda a memória. A fase REM aumenta a atividade cerebral, o que é essencial para a codificação de informações úteis. O sono é um recuperador de energias. Ele ajuda a levar mais energia para os neurônios, promovendo as sinapses. Quando acontece a diminuição das sinapses (que é a ligação entre os neurônios), acontece a perda de memória, que é uma limitação na comunicação entre os neurônios. A falta de sinapse faz com que eles fiquem sem energia e comecem a morrer.
Uma vida social ativa também é importante e faz com que a pessoa tenha uma menor probabilidade de desenvolver depressão. Porém, como na pandemia sair com os amigos não está sendo uma constante, vale tentar se manter otimista perante a vida. A mente ativa é essencial. Estar sempre aprendendo algo novo. Uma língua, um instrumento musical, isso traz um ganho enorme para a plasticidade cerebral. Jogos de tabuleiro e palavras cruzadas também estimulam o cérebro, além de proporcionar melhora na coordenação motora, na agilidade, no raciocínio lógico e na atenção.

A hidratação também é muito importante. Pessoas com mais de 60 anos sofrem uma diminuição do número e da sensibilidade de receptores corporais que controlam a sede. Sem perceber, eles sentem menos vontade de beber água – mas o corpo continua necessitando de uma boa quantidade de líquidos para que todo o organismo funcione bem.

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