Sala de degustação do Borgo Del Vino

Borgo Del Vino investe na uva Syrah como identidade da vitivinicultura fluminense e prepara expansão da produção

A vitivinicultura, atividade que engloba tanto o cultivo da uva quanto a sua transformação em vinho ou derivados, vem ganhando espaço no cenário nacional, impulsionada pela técnica da dupla poda e por terroirs cada vez mais valorizados. Em Areal, na Região Serrana do Rio de Janeiro, o Borgo Del Vino, empreendimento da família Eloy, se destaca pela produção de vinhos de altitude que já conquistaram reconhecimento internacional e ajudam a consolidar o estado no mapa dos grandes produtores brasileiros.

Segundo Diego Singulane Moreira, sommelier do Borgo Del Vino e profissional com ampla experiência no mercado argentino, onde trabalhou por oito anos entre Buenos Aires e Mendoza, atualmente, o portfólio conta com rótulos elaborados a partir das variedades Syrah, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Malbec, Tannat, Tempranillo e Sauvignon Blanc. Os preços variam entre R$ 160 e R$ 420. Ele diz que, por enquanto, toda a comercialização acontece dentro do próprio complexo, estratégia adotada para fortalecer a experiência enoturística e atender à crescente demanda de visitantes. “A procura pelos nossos vinhos cresceu muito junto com o enoturismo. Por isso, optamos por concentrar as vendas na enoteca, no restaurante e no hotel, oferecendo uma experiência completa ao visitante”, afirma Moreira.

diego Borgo Del Vino investe na uva Syrah como identidade da vitivinicultura fluminense e prepara expansão da produção

A Syrah, indica o profissional, representa a essência da vinícola e da própria viticultura de dupla poda na região. “É a nossa identidade. Foi a uva que melhor se adaptou ao nosso terroir e é responsável pela primeira medalha conquistada pela vinícola. Ela representa muito bem o potencial desta técnica nas serras fluminenses”, ressalta o sommelier.

Moreira explica que a dupla poda favorece a produção de vinhos tintos mais estruturados e complexos. “Esses rótulos costumam apresentar corpo médio a alto e grande personalidade. As uvas amadurecem durante o inverno, recebendo excelente insolação e amplitude térmica, fatores que contribuem para vinhos mais concentrados, elegantes e longevos”, complementa o especialista.

Premiação internacional

O Borgo Del Vino nasceu a partir da visão do empresário José Carlos Eloy e de seus filhos, que decidiram unir a produção de vinhos aos empreendimentos imobiliários da família. Hoje, o complexo reúne vinhedos, hotel, restaurante, pizzaria e uma enoteca, especializada na degustação, venda e harmonização de vinhos, proporcionando uma experiência completa de enoturismo. Soma quatro áreas de vinhedos, totalizando cerca de 8,5 hectares, distribuídas entre Areal e Itaipava. O próximo passo será ampliar a capacidade produtiva. “O nosso plano é conquistar uma área própria de produção cada vez mais robusta e continuar investindo em qualidade. Também estudamos projetos futuros de expansão comercial, incluindo a possibilidade de um e-commerce”, adianta Moreira.

Entre os destaques do portfólio está o rótulo “Cinco”, criado em homenagem aos cinco filhos de José Carlos Eloy. O vinho reúne Syrah, Malbec e Cabernet Franc, com passagem de oito meses por barricas de carvalho francês de primeiro uso. “É um vinho muito emblemático para a família e representa um dos maiores legados construídos por ele”, destaca o sommelier.

O reconhecimento da qualidade dos vinhos também já ultrapassou as fronteiras do país. A safra 2023 do vinho “Cinco” conquistou uma premiação internacional no Vale d’Aosta, na Itália, em uma competição voltada para vinhos de altitude. “Foi um marco para nós. O vinho ‘Cinco’ foi o primeiro rótulo produzido no estado do Rio de Janeiro a receber uma premiação internacional desse porte, endossando a qualidade dos vinhos elaborados na Serra Fluminense”, lembra o sommelier.

A inovação também faz parte da estratégia da vinícola. Tradicionalmente utilizada em blends, a uva Malbec surpreendeu a equipe técnica na última safra e deverá ganhar um rótulo varietal próprio. “O Malbec sempre teve participação importante nos cortes, agregando estrutura e potencial de guarda. Mas a qualidade alcançada na última safra foi tão expressiva que decidimos vinificá-lo separadamente. O resultado mostrou características muito particulares e de excelente qualidade”, conta Moreira.

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